cabeça

de prego, agulha, alfinete
de vento
de pau
da empresa, do esquema
do capítulo, matéria, poema
do crime: a inteligência
em parafuso
perdida
quebrada
inchada
exaltada
explodindo
erguida ou fresca
num susto, quando é busto
feita, raspada
sagitários, lado a lado na linha de chegada
é o papo
onde nasce o próximo plano
ou talvez um engano
para me justificar.

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aprendendo a escrever

narra, narra, narrador
serra, serra, serrador
serra, serra, serra
a
dor

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claustro

de que forma
é possível uma palavra respeitar?
deixando-a livre do grilhão da forma
ou botando numa linha para andar?

seu voo, aberto e sem planos,
corre feito rio curvilíneo

aprisionada nos ditames categóricos
para fins meramente alegóricos
são malabares tão egoicos
ditaduras do falar.

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da mulher distante

há um sorriso que escapa
logo, contido;
enquadrado na carapaça
de linhas retas que embalam
o vazio

há uma mulher que escapa
pelo baile dos olhos
na obliquidade das interjeições
e se aquieta, arrefecida,
no vapor dos senões.

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nevrálgica

pinça o tendão
repuxa
no entre
pélvico
sorumbático, soturno
num poente
estático
de fluxo
e seiva
na nervura
fértil
mágica

nevrálgica.

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cárcere, privado

tapete feito para ocultar
problemas

metacriminalidade

fratura exposta no choque
de foices e colarinhos

gatunos sociais, soltos
ladrões de galinha, em gaiolas

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istambul

nas mesquitas, um grito
repetido, rivaliza
com o ruído da multidão
que aflora
das tuas entranhas,
também de fora
sedentos todos
pelo caos

tecido de cimento,
as vias embolam o tráfego
dos afetos e mercadorias
fluxo de excessos:
melancolia

a umidade dos banhos
evapora o cárcere vizinho
de seres empoeirados,
estátuas vivas
mortes ambulantes
terror

és a soma de tantos hiatos,
do Bósforo às fronteiras
que antecipas
no agridoce das tuas águas
revolvidas no choque
de hemisférios

vielas que cheiram
a carne queimada:
delícia e pena.

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