análoga

talvez seja feito maçã, a vida
ânsia vermelha de calor
que encontra calma apenas
na espuma do mar

desmaiada, entregue à areia
esperando o choque
para voltar

a vida é fruta imensa
impossível
de devorar
à tua maneira: inteira.

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pedido ao futuro

quero ter lembranças suas
uma carta, ao menos, com letras borradas
pelo ritmo que
não cessa

uma luz, uma fresta,
brilho qualquer escapado sem que
ninguém veja ou dê
pela falta

sinais, podem ser: bandeiras,
fumaças, beijos, cheiros, rascunhos, taças
tingidas, tintas

um possível recado a bailar na névoa
densa
a um palmo
dos olhos.

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visões

costumava prever tragédias.
um dia se olhou no espelho
e não saiu mais de casa.

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o capital

sujo
sujeito
sugado
pelo sistema

a mão que sangra
na ponta da faca
daquele
que tenta

fugir.

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vendo
vazio
em pacotes
de todos os tamanhos

leve três ausências
pague duas
na promoção

uma lacuna de brinde
se chegar cedo

um vácuo para tomar
caso demore

por nada.

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cabeça

de prego, agulha, alfinete
de vento
de pau
da empresa, do esquema
do capítulo, matéria, poema
do crime: a inteligência
em parafuso
perdida
quebrada
inchada
exaltada
explodindo
erguida ou fresca
num susto, quando é busto
feita, raspada
sagitários, lado a lado na linha de chegada
é o papo
onde nasce o próximo plano
ou talvez um engano
para me justificar.

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aprendendo a escrever

narra, narra, narrador
serra, serra, serrador
serra, serra, serra
a
dor

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