da distância

neste mar de cabeças ofegantes
que paira sobre a gris esfuziante
sobra-me o suspiro gelado da noite
e o desejo
de olhar

afasto as lentes para melhor distorcer
e, assim, aproximar, contorcer
dizer-me das pupilas distantes
o querer

poder.

estender as mãos esguias
ler as páginas volantes
canciones desesperadas
de boedo

sangrar, de forma calculada
numa razão desorientada
subir aos telhados rompidos
gritar nos ouvidos perdidos

o desejo
o olhar
o poder
o querer

os queres, autodevorados
os dizeres, multiplicados
os tempos, não marcados
confluem
terminam
agora

seque a minha lágrima invisível
diga-me o temor mais horrível
queima-me na tua fogueira irascível
morra, comigo, num instante
impossível

o desejo
o querer
num lampejo
de beijo

poder.

Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
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Uma resposta para da distância

  1. menina disse:

    Obrigada, R.
    Ia te dizer tudo. Mas foi numa outra janela 🙂

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