feira, sexta

finda, afunda
a semana
afloram as vestes
profanas
erguem-se as vozes
mundanas

teu valor, no prefixo
és feira
da suja,
da boa,
da lôa
à toa

dos pedidos em silêncio
das freiras ofegantes
dos carros, desgoverno
dos negros sussurrantes
das róseas arfantes
imploram, pedantes
por mais

atadas as mãos dos casais
amantes espalham os ais
pelo inferno laranja
do pôr

apressadas as moças de bolsa
no metrô, o alarido da louca
no carro, a conversa de boca
pequena

tudo se sabe
na sexta
tudo cabe
na sexta
tudo é verdade
na sexta
tudo se pode
na sexta

e, na calçada, já é dia seguinte
madrugada, o frio,
o após é monólogo
prenúncio de mais
e de dor.

Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
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