nuvem

efeméride na ditadura azul
excessiva, à beira da chuva
escassa aos olhos da terra rachada
flanante, sem pátria ou mãe

faz piadas, assume formas
desdenha da (nossa) abstração
encarna, solidifica no vazio
cortina de cegueira branca
cortada feito lâmina
por um avião

viajante sem passaporte
contempla a vida,
avizinha a morte
tão cinza

acompanhada, amedronta
sozinha, nem afronta
de sempre clássico traje
baixa de vez em quando
ao querer-se miragem

sabe dançar sem música
desapegar-se ao acaso
chorar-se, até acabar
transgride a regência:
chove-se, de tão impessoal

acaba num sopro
ou no horizonte
feito rio qualquer
ou um qualquer de nós
lá se vai
biografia efêmera
lutar com o azul
e as estrelas.

Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
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