primaveras

a chama risca a linha reta povoada
arranha-céus fazem sombra aos brados de naftalina
jargões parecem ressurgir o trauma
conveniente

fecho a cortina
conivente

tergiverso do meu eco
ironia

experimento a surdez do chuveiro quente
harmonia

sorvo as goladas do império
já é dia

são pequenos os olhos
concentrados
e alongadas linhas
tão barrocas
a brancura, a neve, silêncio
distantes as mãos a dedilharem o medo
caos

berram asfaltos esburacados
um esboço no sorriso do mendigo
rotos o tecido e a barbárie
fogo na esperança do pária
combustão em doses egóicas
ao deparar

atrás da janela
abafo o clamor uníssono
faço estripulias com os caracois do cérebro
projeto na parede branca as impropriedades
estilhaço os vidros do bom senso
entumeço os algodões da vontade
amolo a faca dos impulsos
vaidade

imateriais ironias
solilóquios em dupla
um drinque, uma garfada, através da taça
um sólido calar, um cálido olhar
feito gato contraído à beira do telhado
um salto feliz rumo aos espinhos
farão sangrar o rubor à sombra
a sombra.

Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
Esse post foi publicado em poesia. Bookmark o link permanente.

2 respostas para primaveras

  1. fonemas disse:

    q bonito!

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