porvir

quanto arde a impossibilidade de tocar-te
desaparecer neste semblante de ternura
ouvir no mais profundo silêncio a aurora
revolver-me nos oceanos densos de teus beijos

assim passas – e me iludes
a mim escraviza: quanto cativa!
anda feito sopro entre as rochas
sublima intensa em minhas notas

o não ver-te ao enxergar
reter o imponderável pelas unhas
ouvir desaparecer teus passos, lenta
no fio azul das fronteiras

teus dedos longos abraçam copos
voam livres, tal pássaros
gesticulam: o ar desenham
contornam o esquecimento
invisível

por que demoras, tão fugidia
e se esvai, quando rompida
desafiada: desaparecida

a maciez, o tato, o pesar
a palidez da distância crescente
o arder da sinuosa trilha
o ruído feroz do crepúsculo

clamo, aos brados mínimos, por teus olhos
na amplitude do desconhecido
a explorar o mágico proibido
e a censura estrangeira do senão

rasgo os tecidos da tua moda
inspiro a viuvez dos teus anseios
sorrio diante da súplica tardia
espanto o amargor do amanhecer

o nostálgico ungir do tempo
espelha o desespero do porvir.

Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
Nota | Esse post foi publicado em poesia. Bookmark o link permanente.

3 respostas para porvir

  1. Késia Lopes disse:

    Você escreve muito bem! Parabéns, esta lindo, maravilhoso ^^

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