horizonte

uma fina camada vítrea separa
apara
a poeira
estanca, ligeira
gotejo intenso,
cortejo alado
de pássaro curioso
voyeur escandaloso
espiões quaisquer

além dela, miniaturas de nós
de ferros e latas
alguns aos céus tentam se erguer
na circular teocracia financeira
que empurra horizontalmente
os demais

um verde esmaecido sobrevive
em copas quebráveis
ao menor temporal

passantes atropelam-se aos montes
embevecidos em solilóquios binários
repletos de caminhos
e fim algum

amores dispersos no ar
borbulham na efemeridade das pestes
exclamam nas noites esfumaçadas
pedem uma bebida a mais

atrás das paredes
brada uma agonia fina
na agudez das tormentas
observa-se a densidade das nuvens
à espera de enxurrada nova:
a fonte seca.

Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
Esse post foi publicado em poesia. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s