amanhã

acorda, pele
elástica coreografia
de espanto
pelo dia
a recobrir, em retos feixes,
o corpo

o assombro do tempo
que molda o vazio,
rabisca o porvir,
cai com todo o peso
a tatuar sinuosas interrogações
nos poros que indagam:
e agora?

agasalha-se com a fumaça do cigarro,
traga uma réstia de gole perfumado
com a boca fugidia, amortecida
pelos brados da distante noite:
história

sente o ardor do sangue no ângulo de
cada contorno:
percebeu-se esculpida horas antes
refeita e entregue à escassez de palavras
lago esplêndido de dentes, peixes, dedos, promessas
memória

suas cores não mais lhe pertencem;
viu-se recoberta indelevelmente
pelo rastro do outro
a ausência imposta em sentença
para se refazer desejo
possível
passível
plausível

o sabor da carne
explode
na falta.

Sobre Rodolfo Araújo

Jornalista, amante do teatro, um (des)crente (in)constante.
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