Arquivo da categoria: poesia

superfície

plana, arrepia, eriça esfria, aquece, estica estilhaça, arde, adormece gera, espalha, pulveriza colore, aterra, erode oscila, rompe, vibra expõe, rotula, padroniza julga, descarta, vacila sangra, expele, sua sua.

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piano

desejei-te primeiro, em todo meu sempre ouvir das tuas câmaras os ecos e temores dedilhar em teu corpo a partitura, desamores admirar teu brilho como quem resigna e consente: como poderia, entre tuas curvas, haver lógica tão evidente? matematizar os … Continuar lendo

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quanto arde a impossibilidade de tocar-te desaparecer neste semblante de ternura ouvir no mais profundo silêncio a aurora revolver-me nos oceanos densos de teus beijos assim passas – e me iludes a mim escraviza: quanto cativa! anda feito sopro entre … Continuar lendo

Publicado em por Rodolfo Araújo | 3 Comentários

oriental

concedam-me a permissão, cortinas negras da noite de vagar livre nas estranhas vielas do mistério a seguir os passantes em solilóquio contemplar as colunas infindas de mármore observar o líquido caldo portuário sob as réstias dos faróis persegui-la sem que … Continuar lendo

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fenda

em cor alguma encaixa-se apenas o afogamento, o nó da gravata meio-certa dá a partida no motor, no automático no moto-contínuo deste giro caótico sob a fumaça densa dos cigarros escassos ou ônibus desregulados dos pares marcados feito bois mastiga … Continuar lendo

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primaveras

a chama risca a linha reta povoada arranha-céus fazem sombra aos brados de naftalina jargões parecem ressurgir o trauma conveniente fecho a cortina conivente tergiverso do meu eco ironia experimento a surdez do chuveiro quente harmonia sorvo as goladas do … Continuar lendo

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névoas

são muitas as cinzas polvilhadas neste pote antigo disformes também as que trafegam impunes pelos ares juntam-se em quadrilha, massificam em bloqueio, desafiam o halo diurno esfriam deprimem fraturam órbita nebulosa, correntezas violentas sobre os poros perdidas solilóquios na mansão … Continuar lendo

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sublime cantar*

Perca sua voz nas frestas do ar toque a alma cansada do poeta a ninar acaricie o cabelo do homem que dorme de tanto chorar Perca sua voz no menino descalço amenize nas rugas da lavra o grande percalço rompa, … Continuar lendo

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milugares

estrangeiras as línguas pretensiosamente infinitas turbilhões de mares inéditos furtivos quadros negros de solidão a noite absorta de lágrima apaga o cigarro enche a brasa da carne dura tensão escolástica do corvo vil espólio sorumbático da vida pregressa lugar, espírito, … Continuar lendo

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acústica

feito cofre perdido na selva todos observam a redoma vidro, reflexo, calor concentrado ar-condicionado, afetado, rareado oxigênio-luxo, pensamento-padrão horas manualizadas, teclados em riste dedos de aluguel, cérebro maquinado virtuais verborragias congelamento, algemas, bateoponto escarra no espelho do banheiro a hora … Continuar lendo

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